Felca expõe Adultização: entenda o que aconteceu e os impactos do caso

A discussão sobre exposição precoce e sexualização de crianças nas redes sociais ganhou força recentemente no Brasil devido ao vídeo publicado pelo youtuber Felca. Em “Adultização”, Felca denuncia conteúdos que exploram menores de idade e questiona o papel dos algoritmos na propagação desses conteúdos. O caso ganhou repercussão nacional e gerou desdobramentos políticos, jurídicos e sociais.

Quem é Felca e como começou o debate?

Felca, nome artístico de Felipe Bressanim Pereira, saltou à notoriedade por seus vídeos de humor sarcástico, lives e satiras das tendências da internet. Em 2025, ele se tornou destaque ao lançar um vídeo de 50 minutos chamado “Adultização”, no qual acusa influenciadores — em especial Hytalo Santos — de explorar menores para atração de audiência (InfoMoney, Wikipédia).

O conteúdo teve mais de 40 milhões de visualizações em apenas uma semana, levando o tema da adultização às manchetes e mobilizando autoridades e plataformas digitais (InfoMoney, Wikipédia).

O que Felca denunciou e por que repercutiu tanto?

Felca expôs a chamada “adultização” de crianças, isto é, a promoção de conteúdos com menor de idade em contextos sugerindo comportamentos ou características adultas. Ele falou de perfis com adolescentes falando sobre relacionamentos, comportamentos explicitamente mimetizando adultos e conteúdos que giravam em torno de “filhos” ou “crias” sendo expostos como personagens de reality shows (CNN Brasil, Wikipédia).

Além disso, introduziu a expressão “algoritmo P”, para criticar como os algoritmos de recomendação favorecem conteúdos mais sensacionalistas, promovendo ainda mais a exposição infantil (CNN Brasil).

Reação das plataformas digitais: Meta e Google agem

Após o vídeo viralizar, o YouTube (Google) e a Meta (Instagram/Facebook) se pronunciaram publicamente. A plataforma de vídeos destacou a exclusão de milhões de conteúdos que violam políticas de segurança infantil em 2024, reafirmando que não tolera tais práticas (CNN Brasil). Já a Meta afirmou que nenhum conteúdo de abuso ou nudez infantil é permitido em suas plataformas, destacando a remoção imediata de postagens denunciadas (CNN Brasil).

Repercussão política e proposições legislativas

O impacto ultrapassou as redes: motivou a apresentação de pelo menos 12 projetos de lei na Câmara, mais os anteriores relacionados à proteção de menores, direcionados ao combate à exploração infantil online (CNN Brasil, UOL Notícias). Também foi proposta a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) no Senado para investigar influenciadores e plataformas sobre exploração de menores na internet — com forte apoio de senadores como Damares Alves e Jaime Bagattoli (Senado Federal).

O projeto já aprovado no Senado em 2024, conhecido como PL da Adultização, deve finalmente ser votado na Câmara com urgência, em paralelo a um novo projeto do governo que prevê restrições de acesso às redes por menores de 12 anos e necessidade de vínculo com responsáveis para adolescentes até 16 anos (UOL Notícias).

Prisão de Hytalo Santos e reação de Felca

Em um desdobramento direto das denúncias, Hytalo Santos foi preso em Carapicuíba, São Paulo, junto com seu marido — após investigação por exploração de menores e tráfico humano (UOL). Felca, por sua vez, parabenizou as autoridades e se colocou à disposição para colaborar com as investigações (UOL).

O impacto social e acadêmico do debate

Pesquisadores da UFRJ alertaram para o aumento significativo desse tipo de conteúdo, defendendo medidas como filtros mais rígidos nas plataformas e responsabilização de serviços para proteger crianças na internet (CNN Brasil). Esse diálogo chega no momento certo, ampliando discussões sobre ética digital, privacidade infantil e responsabilidades tecnológicas.

Conclusão: um ponto de virada na internet brasileira

O vídeo de Felca não foi só um caso isolado, mas um divisor de águas para a proteção infantil online. Em poucos dias, mobilizou plataformas, legisladores e a opinião pública, resultando em ações reais. É um momento que pode marcar a criação de leis efetivas, reforçar a responsabilidade das plataformas digitais e fomentar debates sobre os limites do conteúdo com menores.

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